Uberização das relações de trabalho

Com a globalização e o avanço da tecnologia, a introdução de novos dispositivos digitais tem proporcionado interações sociais cada vez mais fluídas, transformando e dinamizando as relações urbanas.

Nesse contexto, os dispositivos móveis de comunicação, com processadores, telas e conexão em rede por dados ou wireless, são capazes de realizar tarefas permitindo que seus usuários utilizem-nos enquanto se movem livremente, tornando-se um grande exemplo do alcance tecnológico. As cidades, as ruas, os carros, os celulares e os sujeitos são traduzidos sob a forma de mapas digitais, pontos de presença, unidades de tempo e distância.

Com isso, muitos segmentos do mercado têm se transformado. Um dos casos mais famosos é do Uber, no setor de transporte urbano de passageiros, que através de um aplicativo oferece um serviço em partes semelhante ao táxi tradicional, conhecido popularmente como “carona remunerada”.

A acessibilidade às tecnologias e aos serviços, como os oferecidos pelo Uber, viabilizam o que alguns autores definem como “cultura da mobilidade” (LEMOS, 2009 in GUIMARÃES, 2016), que é uma das dimensões importantes na definição de cibercidade.

As cibercidades são aquelas aglomerações urbanas nas quais há um avanço na infraestrutura de telecomunicações e tecnologias digitais. Nesse caso, a mobilidade reconfigura o espaço e as práticas sociais. Assim, cidade e ciberespaço se encontram em uma relação de trocas comunicacionais e econômicas proporcionada pela infraestrutura tecnológica.

As dinâmicas criadas pelo Uber transitam entre o mundo físico e o digital, do ciberespaço. Essas novas possibilidades têm direcionado o mercado de trabalho a novas alternativas, tais como a economia colaborativa, que valoriza aspectos como o compartilhamento na rede e o comportamento sustentável. É um sistema que na visão de Arun Sundararajan, pesquisador do Massachussets Institute of Technology (MIT) (in SILVA, CECATO, 2017), pode ser explicado através de três características: (1) foco no potencial do mercado, facilitando a forma como diferentes recursos são disponibilizados e permitindo o surgimento de novos serviços que intensificam a
atividade econômica; (2) capital de alto impacto, que abre oportunidades para potencializar a oferta de serviços e otimizar o acesso dos consumidores; e (3) redes de serviço baseadas em oferta de trabalho descentralizada, contrária à hierarquia e aos agregados corporativos.

Com isso, o termo uberização foi criado como sinônimo de alteração na forma como as instituições gerenciam seus negócios. Com as tecnologias das novas cidades digitais, os trabalhadores passam a realizar suas tarefas sob demanda mediante um app, de forma flexível. Trata-se de um modelo em que as pessoas podem oferecer e adquirir bens e serviços uns dos outros através de uma plataforma online. As empresas utilizam essas plataformas para colocar consumidores e fornecedores em contato direto, o que barateia os custos e reduz a burocracia.

Na prática, essa relação é gerenciada por softwares e plataformas de propriedade dessas empresas, que se firmam no mercado como mediadoras, conectando usuários trabalhadores a usuários consumidores, administrando as regras dessa conexão e oferecendo a infraestrutura necessária para que esse encontro aconteça.

No entanto, esse novo cenário reflete também o lado negativo de serviços oferecidos desta maneira. No Uber, por exemplo, existe uma quebra da relação entre empresa e empregado. Os motoristas não são vinculados à empresa através de um contrato CLT. A companhia fica com uma porcentagem do valor cobrado pelas caronas sem oferecer contrapartidas sociais previstas nas leis trabalhistas, ocasionando a precarização do trabalho.

Porém, diante da concorrência, a uberização se estabelece como uma vantagem no mercado. Braço da economia colaborativa, em uma época em que o acesso vale mais que o acúmulo, as empresas mudam seu foco para os indivíduos, garantindo facilidades e promovendo relações mais próximas entre oferta e demanda.

AUTORES:

Georgia Pires

Liziane Andre

Marina Scheffer

REFERÊNCIAS

GUIMARÃES, Tiago da Costa. As relações de a digitalização das cidades através do aplicativo Uber. Seminário Internacional de Pesquisas em Midiatização e Processos Sociais. UNISINOS, 2016.

LIMA, Luciana. Mão de obra sofreu “uberização”. Revista EXAME, 2017. Disponível em: https://exame.abril.com.br/negocios/mao-de-obra-sofreu-uberizacao/. Acesso em 10/11/2017

MAGRI, Rodrigo. Economia do Compartilhamento. Disponível em: http://economiadocompartilhamento.com.br/o-que-e-uberizacao/. Acesso em 10/11/2017.

SILVA, Juliana Coelho Tavares da. CECATO, Maria Áurea Baroni. A uberização da relação individual de trabalho na era digital e o direito do trabalho brasileiro. Universidade Federal da Paraíba, 2017. Disponível em: http://www.cadernosdedereitoactual.es/ojs/index.php/cadernos/article/view/227/143. Acesso em:10/11/2017.

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