Transmidiação

Transmidiação pode ser definida como a distribuição de um conteúdo por diversos meios e plataformas tecnológicas, ou seja, é uma lógica de produção, distribuição e consumo, visando a maior participação da audiência no conteúdo veiculado. A participação do público tem se mostrado cada vez mais essencial dentro do contexto de disseminação das mídias sociais, advindas com os meios digitais. Essa cultura participativa emergente, vem sendo estudada por profissionais de áreas de produção de conteúdo para criar métodos e estratégias de aproximação e engajamento de seus públicos. A transmidiatização funciona como um eco que ressoa uma mesma narrativa em diversos meios, nas mídias tradicionais ou na internet, que se retroalimentam. Jogos, sites, livros, séries, aplicativos: diversas plataformas trabalhando como extensões que envolvem os indivíduos em uma narrativa (FECHINE, 2015).

A ferramenta de transmidiação é utilizada para diferentes fins de forma que as organizações acabam utilizando a tecnologia para propósitos comerciais (CASTELLS; QUI; 2007 apud GOSCIOLA; 2012). Para Philip Kotler, a conectividade transformou os clientes em cocriadores fundamentais das marcas, e estas precisam aprender a interagir com os clientes a fim de conseguir a participação dos mesmos em seus conteúdos. O autor afirma que as empresas e marcas devem ser criativas e melhorar a interação com os consumidores e ressalta que o conteúdo eficaz deve ser a conexão entre as histórias da marca e os desejos do consumidor. Para isso torna-se imprescindível que os profissionais da área explorem os diferentes formatos de conteúdo disponíveis como histórias em quadrinhos, vídeos, jogos, filmes, notícias e mesmo livros (KOTLER, 2017). Com a facilidade de criação de conteúdo e acesso à informação, característica importante e crescente na sociedade globalizada, cruzar diferentes narrativas, informações e contextos é algo existente nas entrelinhas de diversos canais de comunicação. Henry Jenkins (2006) afirma que as funções desempenhadas por produtores de mídia e os consumidores não podem mais ser separadas, eles interagem, e o consumidor passa a ter papel fundamental na criação do conteúdo (JENKINS, 2006).

Segundo José Carlos Felix, “a sociedade e a cultura contemporânea são marcadas por uma tônica que confere à literatura uma gama de possibilidades, particularmente mediada pelo ambiente hipermidiático” (FELIX, et al.). Desta forma, a transmidiação torna-se uma ferramenta é muito utilizada no universo literário, principalmente nas narrativas fantásticas, como por exemplo as histórias de Senhor dos Anéis, Star Wars e Harry Potter, que expandiram a interação com o seus fãs para além dos livros e das telas de cinema. Nestes casos, foram criadas plataformas de Games online e offline, sites, séries e seriados, histórias em quadrinhos, músicas, livros didáticos digitais, conteúdos online, além de produtos que saem direto dessas histórias fantásticas, tudo com o objetivo de conseguir atingir um público variado, e das mais diversas maneiras possíveis. Assim sendo, consegue-se tirar o universo literário apenas da imaginação, levado-o para o cotidiano dos fãs, fazendo com que eles, literalmente, vivam esse mundo.  

 

REFERÊNCIAS

 

FECHINE, Yvana. Transmidiação e cultura participativa: pensando as práticas textuais de agenciamento dos fãs de telenovelas brasileiras. Revista Contracampo, n. 31, p. 5-22, 2015.

 

FELIX, José Carlos; PRZYBYLSKI, Mauren Pavão; PECINO, lvaro Baquero. Intermidialidade e literatura: as possibilidades da narrativa na contemporaneidade. Pontos de Interrogação. Revista de Crítica Cultural do Programa de Pós-Graduação em Crítica Cultural, v 7, n. 1, p. 7, jan.-jun. 2017.

 

FIGUEIREDO, C. A. P. Em busca da experiência expandida: revisitando a adaptação por meio da franquia transmidiática. 2016. 238 f. Tese (Doutorado em Estudos Literários) – Faculdade de Letras, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2016.

 

GOSCIOLA, Vicente. A Máquina de Narrativa Transmídia: transmidiação e literatura fantástica. Disponível em: <http://revistacomunicacion.org/pdf/n10/mesa1/010.A_Maquina_de_Narrativa_Transmidia-Transmidiacao_e_literatura_fantastica.pdf>. Acesso em: 11 de setembro de 2018.

 

JENKINS, Henry. Convergence culture: where old and new media collide. 2006. New York University Press)

 

KOTLER, Philip; KARTAJAYA, Hermawan; SETIAWAN, Iwan. Marketing 4.0: do tradicional ao digital. Sextante, 2017.

 

TRANSMIDIALIDADE: NARRATIVAS TELEVISIVAS FICCIONAIS – A “SEGUNDA TELA” DE PAPEL <http://congreso.pucp.edu.pe/alaic2014/wp-content/uploads/2014/10/GI3-Marcia-Tondato.pdf>

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