Apps de relacionamento

Os ambientes digitais para fins de relacionamento social surgiram na década de 1990 e foram sendo incrementados progressivamente até a atualidade. De acordo com Raquel Cristina Melo Corrêa, esses permitiram-nos interação em tempo real, mudando nossas experiências sensoriais, socioculturais, econômicas e políticas, e alterando nossas percepções sobre espaço e tempo. Com a evolução dos telefones móveis ao status de smartphones e o surgimento dos tablets, tais ambientes, até então explorados por meio de desktops ou notebooks, adaptaram-se aos novos dispositivos que, entre outras características, permitiram a portabilidade.

 

É impossível falar dos aplicativos de relacionamento sem falar na intensificação do uso de smartphone no últimos tempos. O Brasil possui aproximadamente 70 milhões de usuários desses aparelhos, ficando em quarto lugar entre todos os países. Segundo fontes do IBOPE Media (2013), os conteúdos mais acessados são os e-mails e as redes sociais. Isso significa que, graças aos smartphones, tornou-se possível, além das ligações de voz comuns, o uso da comunicação em rede, de muitos para muitos, em tempo real e em mobilidade.

Existem redes sociais digitais e apps de relacionamento com diversos propósitos e para diferentes interesses e públicos. Segundo Corrêa, “ainda que haja tabus, preconceito e críticas ao uso das redes sociais digitais para fins afetivos, visto que para muitos pode soar como perversão, sintoma de solidão, entre outros distúrbios psicológicos ou morais, são cada vez mais frequentes os relatos públicos sobre tais experiências”.

De acordo com Souza, no livro “A ética romântica e o espírito do consumismo moderno” (2001), Campbell aponta o romantismo como ponto de virada do “espírito de poupança” calvinista para o “mundo do consumo” característico da sociedade contemporânea. De acordo com ele, o espírito romântico em cada indivíduo é preenchido de sentimentalismo e valorização da liberdade e sensações, encorajando-o a experimentar novas condutas e comportamentos visando alcançar o prazer pessoal.

Um aplicativo que merece destaque devido sua popularidade é o Tinder. Esse é um aplicativo de localização de pessoas para encontros, disponível para smartphones e tablets com sistemas iOS ou Android. “Mundo afora, o Tinder possui 100 milhões de usuários. Dez por cento deles, ou seja, 10 milhões, são brasileiros. Isso faz do Brasil o terceiro maior mercado do aplicativo, atrás apenas dos Estados Unidos e do Reino Unido” (Souza, 2016 apud Tagiaroli, 2014). O Tinder, ao ser baixado e aberto pelo usuário, conecta-se ao seu Facebook.  Nele, é possível escolher até seis fotos para publicar em sua conta, além de definir se quer visualizar perfis masculinos ou femininos, de qual faixa de idade e em até que distância. Além disso, é possível escrever uma pequena biografia e editar seus gostos. Tendo realizado esse processo, a foto dos “pretendentes” aparece na tela; se o usuário gostar de um perfil apresentado, deve clicar no ícone de coração na parte inferior da tela ou deslizá-la para a direita. Caso contrário, deve clicar no ícone de X ou deslizar a tela para a esquerda. Se essa seleção for recíproca entre duas pessoas, ocorre o chamado “match”, e uma janela de chat é disponibilizada para que conversem. O Tinder apresenta uma forma de menu social, em que são delimitadas características e padrões necessários para que se estabeleça uma relação entre duas pessoas.

De acordo com Barros, Oliveira e Goulart, “é possível reiterar a busca da satisfação instantânea, em que a efemeridade é o ponto central dos relacionamentos provenientes dessa marca tecnológica (…) Visualiza-se, dessa forma, uma crise nos valores sociais, onde a efemeridade e o consumo de pessoas por pessoas torna-se recorrente”.

A agilidade e a grande quantidade de relações que podem ser estabelecidas nos aplicativos de relacionamento faz com que elas se tornem superficiais e, em muitos casos, enganosas. Essa vasta “oferta” de relações acaba desvalorizando o convívio presencial, logo (des)relacionando pessoas que não consideram o mundo real e digital como sendo o mesmo.

 

Referências:

 

http://portalintercom.org.br/anais/nacional2015/resumos/R10-0841-1.pdf

http://bdm.unb.br/bitstream/10483/9405/1/2014_GustavoLeuzingerCoutinho.pdf

https://www.segs.com.br/saude/22589-aplicativos-de-relacionamento-psiquiatra-comenta-pros-e-contras

http://revistas.unisinos.br/index.php/versoereverso/article/viewFile/ver.2016.30.75.03/5591

https://emais.estadao.com.br/noticias/comportamento,acaso-os-aplicativos-de-relacionamento-contribuem-para-a-cultura-do-ficar,10000063115

https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=5560627

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