Streaming

A época em que os espectadores precisavam, imprescindivelmente, estar em frente à uma televisão para acompanhar determinado acontecimento ficou no passado. Também não é mais realidade, na maior parte do mundo, uma transmissão única de informações, sem que se possa reagir a elas ou compartilhá-las com outras pessoas. Com o advento e a popularização das plataformas de streaming, especialmente para a realização de lives, a interação do público com os meios de comunicação, através da internet, tem sido cada vez mais comum. Por conta da relevância dessa tecnologia nas experiências televisivas e midiáticas, no geral, torna-se muito importante compreender o fenômeno das transmissões ao vivo, que está tão presente no cotidiano das pessoas.

O foco da comunicação foi além do “assistir”, passando a ser a participação e a partilha. De acordo com Luís Mauro Sá Martino, os telespectadores tornaram receptores ativos e uma audiência produtiva, usando as mídias digitais para reproduzir e recriar conteúdos de acordo com sua concepções (MARTINO, 2015, pg. 161). Essa mudança se deu pela crescente disponibilidade de ferramentas para gravar, manipular e publicar conteúdo. O streaming passa, então, a ser a forma de distribuição de informação multimídia na internet, a transmissão do conteúdo audiovisual que se popularizou de maneira muito intensa, ampliando as dimensões de produção de conteúdo e possibilitando experiências em tempo real.

A participação do público nesses casos é resultado da lógica dos novos meios de comunicação: a ideia de contribuição e compartilhamento. Essa é a essência de plataformas como o Facebook, YouTube ou o Twitter. O novo perfil da audiência do jornalismo e do entretenimento abandonou a postura passiva de receptor e passou a estabelecer uma nova relação com a mídia. Manuel Castells (2009) define isso como self-media ou mass self-communication. Essa tendência significa que os meios de comunicação devem, cada vez mais, se aproximar do público e promover a interação, tanto das pessoas com o meio, quanto entre o próprio público.

Um exemplo da contribuição dessa tecnologia nos canais tradicionais de comunicação pode ser visto no programa Vídeo Show, que é exibido todos os dias na Globo, após o Jornal Hoje. Há quase 40 anos no ar, comentando bastidores e estilos de vida por trás das câmeras, o programa passou a utilizar, desde 2016, essa ferramenta de interação com seus telespectadores. Entre seus diversos quadros e reportagens, as apresentadoras selecionam mensagens do público e as comentam ao vivo, aproximando a reação das pessoas àquilo que está sendo mostrado.

No jornalismo, as plataformas de streaming se transformaram em um ambiente de debate por meio do público e do uso das hashtags para aglutinar o mesmo tema. Tal fenômeno pode ser considerado muito proveitoso, por propiciar discussões e trocas de ideias, mas também bastante polêmico, já que é fácil encontrar a propagação de discursos de ódio quando o assunto envolve opiniões particularmente avessas. Isso foi bastante notado no Twitter, durante a transmissão ao vivo do programa Debate na Band, a primeira articulação jornalística, em rede nacional, dos candidatos à disputa presidencial de 2018. Eleitores e seguidores de diversas ideologias não só manifestaram suas posições, como também argumentaram ofensivamente contra aquilo que não compactuavam.

Conclui-se, então, que essa tecnologia é muito positiva, uma vez que a população tem a possibilidade de contribuir e, inclusive, produzir o conteúdo que deseja ver. A distância entre os públicos e os meios de comunicação está cada vez menor, favorecendo a liberdade de expressão. No entanto, no que diz respeito ao compartilhamento de opiniões, é importante que se tenha em mente o respeito, tanto com as outras pessoas quanto com os profissionais da mídia.

 

REFERÊNCIAS:

 

SHIRKY, Clay. A cultura da participação. Rio de Janeiro: Zahar, 2011.

CASTELLS, Manuel. Communication Power. Oxford, New York: Oxford University Press, 2009.

MARTINO, Luis Mauro de Sá. Teoria das Mídias Digitais. Petrópolis: Vozes, 2015.

 

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