Selfie

Atualmente, o indivíduo contemporâneo faz uso da selfie, tipo de imagem (registo de autorretrato) associada à auto representação e tem designação que se refere em inglês à ideia de eu mesmo, ou imagem de mim. (VIANA, 2017),  Estes registros são divulgados no ethos midiatizado para ter vida no bios virtual, ou seja, o hábito ou crença define a sociedade a postar estas imagens para poder estar presente nas redes sociais (COHN, 2018).

Na atualidade, este tipo de imagem é recorrente, centrada na difusão online, sobretudo, nas redes sociais. Este tipo de registro é realizado pensando em como será divulgado, a forma como é construído e interpretado, sobressaindo a ideia de construção identitária como reflexo de um determinado contexto social (VIANA, 2017).

Na cultura atual, o hedonismo é imediato. Hedonismo é considerar o prazer como o objetivo da vida; são os meios que o homem utiliza para encontrar a felicidade e o que quer.  A selfie mostra como a pessoa está feliz, que não possui problema e como a sua vida é fácil. Como cita Caparrós (2015) em um artigo:“Nós sorrimos para fazer parecer que estamos felizes, isto é: ser feliz. Nunca a raça humana sorriu tanto antes de tão poucas graças: uísque, tequila, queijo.”

A atuação das pessoas é poder responder as regras de determinado contexto social, e se moldam com ações e atitudes que possam se integrar neste contexto. E a cultura do hedonismo reforça a necessidade de mostrar aos outros a felicidade que a pessoa sente ao comer determinado prato, a viajar para determinado lugar ou ver determinado filme. (VIANA, 2017).

A selfie, enquanto autorretrato, geralmente amplifica uma determinada característica pessoal, que pode ou não corresponder a uma franca definição identitária. Procura-se com isto entender que a selfie também é um veículo para a construção, desconstrução, transformação e objetificação do eu, e que retrata sobretudo uma condição narcísica do autorretrato que reflete o seu contexto.

VIANA(2017)

Atualmente, parece ser uma tarefa de todos, o tempo todo, mostrar o que estão realizando a partir das selfies. Nove entre dez pessoas carregam um dispositivo de gravação o tempo todo. Neste dispositivo, há necessidade de haver armazenamento para guardar imagens de rostos de entes queridos, pois a selfie é um processo de transformação pessoal para responder a um contexto, utilizando a

imagem como forma de comunicação identitária.  (VIANA, 2017).

Através da selfie, as pessoas querem ver, ser vistas e construir uma imagem, podendo criar um personagem, alguém que na verdade ela não é, tendo uma nova identidade mesmo que seja virtual e dispara na rede o que deseja expor sobre si e seu cotidiano, ressaltando a sua felicidade e o prazer em estar vivendo aquilo, mesmo que algumas vezes isto não seja verdade e sim recortes de fatos e situações.  (COHN, 2018)

Apesar de cada vez mais questionar-se a cultura da selfie, é possível observar que o que antes era usado para construir ou afirmar padrões de beleza para muitos distante, por exemplo, hoje é usado justamente para quebrar essa ideia de “corpo ideal” ou “rosto ideal”, principalmente no meio artístico feminino, uma vez que as mulheres eram são as que mais sofrem com tais padrões, impostos muitas vezes também por homens (machismo).

Atrizes, cantoras, apresentadoras, influencers, como youtubers por exemplo, e outras personalidades públicas, têm buscado, através de selfies, retratar sua beleza natural, sem maquiagem ou filtros de aplicativos. Incentivando o empoderamento feminino e passando a mensagem de que ninguém é perfeito e isso é normal. Encorajando mulheres que não atendem aos tais padrões que sempre estiveram presentes nas nossas vidas a se amarem como são, pois tais padrões foram criados, inventados e, portanto, podem ser desconstruídos.

Apesar das várias críticas negativas que surgiam conforme a cultura da selfie crescia, hoje é possível visualizar ela como algo positivo para questionar padrões que sempre foram afirmados (pela cultura da selfie também).

Entretanto, mesmo com as mudanças atuais nesta cultura, a selfie e a cultura hedonista da felicidade ainda hoje são direcionamentos para a população ser considerada “legal, dentro dos padrões e ter uma vida feliz”, em um consumismo estético para mostrar a felicidade. Mas, como o autor COHN (2018) cita, essas imagens podem ser substituídos rapidamente.

O “modismo” está presente neste momento sob a aura de um novo padrão cultural. Esta busca pela estética perfeita acontece porque homem pós-moderno vive uma crise de identidade e de imagem, por ser um ser com múltiplas facetas, pois a imagem que ele apresenta nem sempre o identifica realmente e menos ainda na sua totalidade. (COHN, 2018)

 

Viana, Maria Rita Sá Lima Pacheco. Selfie A influência do contexto social na definição da imagem individual. Trabalho de Projeto para a obtenção Do Grau de Mestre em Pintura. Faculdade de Belas Artes, Universidade do Porto. Porto, 2017

 

Cohn, Maria Cecilia Falcão Mendes. Selfie, a cultura do espelho: No espelho?

NOS ÚLTIMOS UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO ESCOLA DE COMUNICAÇÕES E ARTES CENTRO DE ESTUDOS LATINO AMERICANOS SOBRE CULTURA E COMUNICAÇÃO. 2018

 

Caparrós, Martin. El registro continuo de la sonrisa. EL PAÍS. 2015.

https://elpais.com/elpais/2015/02/09/eps/1423492714_863153.html

 

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