On demand

A popularização da internet foi um dos principais fatores responsáveis por ampliar o número de meios de distribuição de músicas, matérias – de jornais e revistas – e vídeos, principalmente. Essa ampliação, associada às mudanças no modo de consumir determinados conteúdos, impulsionou a criação dos serviços on demand, ou seja, que funcionam de acordo com a necessidade e encomenda dos usuários.

Com o surgimento dos serviços on demand a tendência é de que, cada vez mais, os conteúdos deixem de ser consumidos de maneira compulsória. Filmes, séries e até mesmo programas de TV são vistos no momento em que é conveniente ao telespectador, sem que o mesmo precise aguardar determinado horário. Segundo o Chuck Tryon, autor do livro On-Demand Culture e citado em artigo pelos pesquisadores João Massarolo e Dario Mesquita, a cultura do on demand possibilita que os textos midiáticos sejam veiculados de maneira mais barata, rápida e abrangente, possibilitando que os mesmos estejam disponíveis a qualquer momento.

 

Além da possibilidade de expansão das empresas que já nasceram produzindo essa forma de conteúdo, como a Netflix e Spotify, as transformações no modo de consumir e buscar conteúdo forçaram muitas empresas de TV e telefonia a se adaptarem. É comum, ao contratar um plano pré ou pós-pago de telefonia, que aplicativos de música ou assinatura de revistas online sejam serviços inclusos. No caso das emissoras de TV são ofertados, geralmente, filmes e séries que podem ser alugados a qualquer momento ou, como a Globo Play, que possibilita ao telespectador assistir à programação quando e de onde ele quiser por um custo mensal.

 

Segundo estudo brasileiro, divulgado no fim de julho de 2018 durante o evento PayTV Forum – o principal evento sobre TV paga no Brasil -, os serviços de assinatura de vídeo on demand (SVOD) são o principal entretenimento televisivo em 8% das residências brasileiras. Além disso, considerando somente conteúdos em vídeo, um relatório divulgado pela Conviva – empresa de monitoramento e inteligência do setor audiovisual – apresenta que entre maio e junho de 2018 foram consumidas mais de 5,5 bilhões de horas em conteúdo on demand, registrando um aumento 115% maior quando comparado ao mesmo período no ano anterior.

 

Para João Massarolo e Dario Mesquita, o sucesso das empresas que disponibilizam conteúdos on demand não se dá apenas por conta da flexibilidade de horários e meios para acessá-los, mas também por possibilitar o binge-watching, termo utilizado para definir a aficção por maratonar séries e programas de televisão. Ao lançar uma nova série, a Netflix, por exemplo, disponibiliza todos os episódios de uma única vez. Dessa maneira, dá ao usuário a possibilidade de assistir a todos os episódios de forma ininterrupta. Essa prática muitas vezes pode ser crucial para que determinada série faça muito sucesso após sua disponibilização em plataformas de conteúdo on demand. É o caso das séries Breaking Bad ou La Casa de Papel, que se tornaram fenômenos ao migrar da TV para a Netflix. A liberdade de consumir conteúdo de forma fluída e o acesso fácil a uma vasta gama de possibilidades.  

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

MASSAROLO, J. C. MESQUITA, D. Vídeo sob demanda: uma nova plataforma televisiva. In: XXV Encontro Anual da Compós, Goiânia (GO), 2016.

 

STÜMER, A. SILVA, G. P. D. Do DVD ao online streaming: a origem e o momento atual do Netflix. In: 10º Encontro Nacional da História da Mídia, Porto Alegre (RS), 2015.

 

Propmark, Consumo de conteúdo em vídeo on demand cresce em 115% em um ano. Disponível em: <http://propmark.com.br/mercado/consumo-de-conteudo-de-video-on-demand-cresce-115-em-um-ano>. Acesso em 30 ago. 2018.

 

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