Jornalismo de dados

Não é novidade que o avanço da internet revolucionou diferentes áreas, e o jornalismo não fugiu a essa regra. Com a grande disponibilidade de informações nas redes, a produção jornalística sofreu discretas, porém importantes, modificações. A rápida transmissão de informações, a conexão entre máquinas e a alta capacidade de processamento e armazenamento permitem a manipulação de complexos bancos de dados que, por sua vez, facilitam e ampliam as possibilidades dentro do jornalismo. O levantamento e comparação de informações precisas e cruzamento de dados, atividades que antes exigiam grande esforço e, muitas vezes, acabavam consumindo tempo demais, passaram a ser realizadas muito mais rápido.

O jornalismo de dados pode ser visto como uma forma de adaptação às novas mídias e tendências, uma forma de resposta a um ambiente bombardeado por informações, cada vez mais interativas e multidimensionais, que permitem uma maior interação do público e a contribuição do mesmo ao construir tais discursos. Qualquer pessoa pode reunir e compartilhar dados, transformá-los em informação. Sendo assim, essa possibilidade abre espaço para um importante papel da sociedade como instrumento de fiscalização do poder. Mas isso é apenas uma parte do processo. Os dados precisam ser lidos e traduzidos ao público, e é aí que é necessária a experiência e perspicácia jornalística para emergir de um conjunto de informações, narrativas compreensíveis e informações relevantes à sociedade. Além disso, para o jornalista, a disponibilidade da informação em sua forma bruta possibilita o exercício do questionamento e abre espaço para diferentes interpretações diante das informações oficiais.

 

É importante destacar, neste contexto, que o jornalismo de dados não se resume à simples interpretação de informações disponíveis na internet, ou mesmo sobre o uso de um computador para a produção da notícia. Isso é apenas parte dele. Em sua essência, jornalismo de dados está muito mais ligado ao fato dos dados conduzirem a narrativa e ela só se materializar a partir deles. Os dados não são números e informações reunidas em uma planilha como os jornalistas estavam anteriormente acostumados. Vivemos em um mundo digital onde absolutamente todas as informações, materiais humanos e sociais, documentos, entrevistas, pesquisas, fotos, vídeos e dados são descritos em números que, por sua vez, são dados. É diferente, por exemplo, de uma reportagem sobre o aumento de preços dos alimentos na qual dados sobre a inflação cumprem papel coadjuvante na narrativa de um dona de casa assustada com os preços enquanto conduz um carrinho de compras pelo supermercado. Tal modalidade, portanto, não é uma substituição do jornalismo tradicional, mas sim um acréscimo a ele.

 

REFERÊNCIAS

 

Data Journalism Hand Book, Manual de Jornalismo de Dados. Disponível em: <http://datajournalismhandbook.org/pt/introducao_2.html>. Acesso em 13 set. 2018.

 

BARBOSA, S. A.; TORRES, V. O paradigma ‘Jornalismo Digital em Base de Dados’: modos de narrar, formatos e visualização para conteúdos. Galaxia (São Paulo, Online), n. 25, p. 152-164, 2013.

MANCINI, L.; VASCONCELLOS, F. Jornalismo de Dados: conceito e categorias. Revista Fronteiras – Estudo Midiáticos. Unissinos, p. 69-82, 2016.

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *