Fake news

Não é de hoje que os meios de comunicação são usados para disseminar notícias falsas, registros feitos séculos antes do surgimento das redes sociais digitais já apontam que pasquins e gazetas eram utilizados
para semear boatos e mentiras sobre personagens públicos e governos, como relatam Peter Burke e Asa
Briggs, na obra “Uma história social da mídia”.



Atualmente, notícias falsas ou parcialmente falsas têm sido chamadas popularmente de “fake news”.
Trata-se de informações publicadas e divulgadas de modo a enganar o público e que atendem a interesses
controversos como, por exemplo, a geração de ganhos financeiros por meio do número de acessos. Elas são
publicadas e compartilhadas por sites e páginas que se integram formando uma rede de disseminação de
falsas notícias.

De modo geral, as fake news possuem características formais muito semelhantes às dos textos informativos
publicadas por jornais tradicionais. Segundo Bill Kovach e Tom Rosenstiel, “existe uma unanimidade
absoluta e também a mais completa confusão: todo mundo concorda que os jornalistas devem dizer a
verdade. Apesar disso as pessoas se mostram meio zonzas com o significado do termo ‘a verdade” (KOVACH; ROSENSTIEL, 2007, p. 36).

No entanto, alguns indícios que podem levantar suspeitas quanto à veracidade dessas informações são o
conteúdo carregado de apelo emocional e os títulos com teor sensacionalista que as diferem do texto
jornalístico na isenção e objetividade na transmissão da informação.

São diversas as motivações pelas quais essas informações falsas são disseminadas, mas vale ressaltar que a
internet se tornou um terreno fértil para propagá-las de maneira barata e exponencial. Considerando que
no ambiente digital os sites lucram com a venda de anúncios, ou seja, quanto maior a audiência de uma
página mais ela ganha com publicidade, os conteúdos apelativos impulsionam a busca por cliques e
consequentemente os lucros gerados.

A interrupção do consumo indiscriminado de mentiras e da disseminação de notícias falsas passa por dois
caminhos. Inicialmente, se faz necessário que as empresas que detém grande audiência e dispõe das
maiores plataformas de disseminação de conteúdo independente, como Google e Facebook, tomem
medidas no sentido de monitorar a credibilidade dos veículos e a qualidade das reportagens que são
publicadas em suas plataformas, de modo a combater as vantagens financeiras de criar notícias falsas.

Em consonância com essa medida inicial, a população necessita passar por um processo de literacia midiática a ser oferecida tanto por meio das instituições de ensino regular quanto pelos meios de
comunicação de massa que oriente os indivíduos a distinguir boatos de informações.

Sobre a necessidade de uma educação para a mídia a pesquisadora Alexandra Bujokas afirma que “em um nível mais avançado, a habilidade de ler se move do simples reconhecimento e compreensão para uma ordem mais elevada de habilidades de pensamento crítico, tais como saber questionar, analisar e avaliar a informação.

É importante ressaltar que nenhuma das duas medidas apontadas deve ser implementada de maneira a
cercear a liberdade de expressão no ambiente digital ou mesmo controlar o acesso aos conteúdos da rede,
mas de coibir a disseminação de notícias falsas, possibilitar aos indivíduos a identificação de argumentos
fraudulentos e promover o uso responsável da informação.

AUTORES:
Katleen Monteiro
Miller Vale

REFERÊNCIAS
KOVACH, B.; ROSENSTIEL, T. The Elements of Journalism. New York: Three
Rivers, 2007.

SIQUEIRA, Alexandra Bujokas de; CANELA, Guilherme. Os Porquês de Uma Política Nacional de Mídia-
Educação. Comunicação & Educação, São Paulo, v. 17, n. 2, p. 13-22, dec. 2012. ISSN 2316-9125.
Disponível em: <http://www.revistas.usp.br/comueduc/article/view/73533/77232>. Acesso em: 26 june 2017. doi:http://dx.doi.org/10.11606/issn.2316-9125.v17i2p13- 22.

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