Crowdfunding

Já lemos, vimos e ouvimos exemplos de projetos e iniciativas que possuíam uma base muito bem estruturada, mas não tinham fundos suficientes ou apoio financeiro para sua realização, não é mesmo? Bom, levando isso em conta, uma prática proveniente da cibercultura tomou forma e vem se popularizando e se consolidando no mercado: o Crowdfunding.

Crowdfunding (ou financiamento coletivo) foi um termo designado para a atividade de financiar, de forma coletiva, livre e espontânea, qualquer projeto que atenda os interesses de uma pessoa, através de plataformas digitais.

Para Diego Reeberg, um dos fundadores da Catarse.me (primeira plataforma online brasileira destinada a financiar projetos criativos de forma colaborativa), o conceito de Crowdfunding extrapola a simples ideia de uma vaquinha, pois no final das contas, o resultado da colaboração não é apenas um produto de consumo que um grupo de pessoas tinham interesse em adquirir, e sim a possibilidade de lançamento de uma iniciativa ou a abertura de uma empresa, que darão retorno para a sociedade em geral.

De acordo com Henriques e Lima, autores do artigo “Os públicos fazem o espetáculo: Protagonismo nas práticas de financiamento coletivo através da internet”, a prática de Crowdfunding acontece de duas formas diferentes, que, apesar disso, visam o mesmo objetivo (arrecadação coletiva de fundos). São elas:

* O modelo de “vaquinha” comum, com algumas adaptações para se adequar ao molde da web 2.0. Nele, pouco difundido entre a população, normalmente os projetos lançados tem como objetivo a arrecadação de pouco dinheiro, somente para cobrir financeiramente situações como uma viagem pessoal ou uma entrada para um show.

* O modelo de recompensas. Muito mais popular entre o público e certamente mais eficiente, este modelo consiste basicamente em proporcionar algum tipo de motivação para os colaboradores; passa a mensagem de “muito obrigado por sua contribuição” em forma de recompensas, que variam de acordo com o valor doado. Neste molde, a ideia é que todos os envolvidos no processo sejam beneficiados, seja o criador do projeto (com o dinheiro arrecadado), as plataformas digitais (que veremos mais à frente) ou os colaboradores (com as recompensas). Pelo fato de ser muito mais atrativa ao público, essa forma de funcionamento de Crowdfunding é capaz de mobilizar uma quantidade muito grande de pessoas e de dinheiro, como foi o caso do Ônibus Hacker, que conseguiu arrecadar 58 mil reais de forma coletiva para sua
realização.

Plataformas Digitais

As plataformas digitais são basicamente a ponte tecnológica entre os criadores dos projetos e os colaboradores. Desta forma, determinam regras, normas, medidas e especificações de sua escolha (que devem ser seguidas pelos criadores), visando tanto seu funcionamento, quanto sua manutenção. O Catarse, por exemplo, determina que 7,5% do total final arrecadado será destinado ao site.

Além disso, as plataformas podem estar voltadas a um nicho específico, em que somente projetos que ofereçam algo relacionado a ele serão aceitos. Podemos citar alguns exemplos como o Embolacha ou o Bicharia, duas plataformas que destinam seus esforços à arrecadação de fundos para projetos musicais e iniciativas que auxiliem animais carentes, respectivamente.

 

É muito interessante perceber a amplitude da prática do Crowdfunding, que tem a possibilidade de abranger toda e qualquer área do mercado, seja para pessoas físicas, jurídicas e até mesmo uma alternativa na captação de recursos para ONGs e movimentos sociais. Além de tudo, oferece uma alternativa para a arrecadação de fundos, que até então se dava de forma extremamente burocrática e ineficiente. É um grande avanço na área da cibercultura e tem tudo para continuar crescendo e se desenvolvendo como uma prática comum e aceita.

AUTOR:
Caio Zanotto

REFERÊNCIAS
https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/entenda-o- que-e-
crowdfunding,8a733374edc2f410VgnVCM1000004c00210aRCRD

https://www.napratica.org.br/crowdfunding-no- brasil/

http://www.portaloempreendedor.com.br/sitesed/portal/conteudos/editais/60293
90911280245/plataformas-se- especializam-em- crowdfunding-para- nichos

HENRIQUES, Márcio Simeone; LIMA, Leando Augusto Borges. Os públicos
fazem o espetáculo: Protagonismo nas práticas de financiamento coletivo
através da internet. Conexão – Comunicação e cultura. 2014.

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