Criptografia

A criptografia é o estudo e aplicação de técnicas pelas quais a informação é  transformada da sua forma original para uma forma ilegível aos demais. A própria etimologia da palavra revela seu significado, que tem origem grega: Kryptós: “escondido” e gráphein “escrita”. Sua aplicação é feita para a comunicação e armazenamento de dados e seu uso teve início em 1918 desenvolvida por Arthur Scherbius, que acabou gerando grande interesse pela marinha alemã. Seu uso se popularizou na segunda guerra mundial quando o Estado precisava manter suas informações em sigilo, para isso, criaram alfabetos que apenas o destinatário e o remetente saberiam o significado – exatamente o que acontece com a atual criptografia. A revolução industrial, o surgimento de máquinas e tecnologia, favoreceram o aperfeiçoamento da criptografia e a criação de departamentos especializados em codificações.

Com o computador e o sistema de algoritmos binários (uma sequência de 0 e 1) é possível encriptar e decriptar a mensagem, ou seja, transformar a informação usando códigos e tornar ilegível para aqueles que não são o emissor ou receptor da mensagem e converter novamente em conteúdo legível.

Existem 3 tipos de criptografia: Simétrica, Assimétrica e de Hash. Na primeira, simétrica, o destinatário e o remetente utilizarão apenas uma chave, a qual irá encriptar e decriptar a mensagem. Na criptografia Assimétrica ou de ponta a ponta serão utilizadas duas chaves, uma pública e uma privada. A chave pública será utilizada para fechar a mensagem, ou seja, para enviar, já a chave privada irá abrir as mensagens. Na técnica de Hash não é utilizada uma chave e sim um valor de hash com um tamanho fixo, que serve para garantir que os dados de sua mensagem não sejam corrompidos.

A criptografia é um assunto que alerta o Estado, pois grandes empresas já utilizam a criptografia em seu modo assimétrico, onde apenas os participantes das mensagens podem saber o conteúdo. Um exemplo claro e atual é o conflito entre o WhatsApp e a Justiça brasileira. Em fevereiro de 2015, o juiz Luiz de Moura Correia, do Piauí, determinou o bloqueio do aplicativo no Brasil depois do WhatsApp ter negado fornecer informações relacionadas a informações solicitadas pela polícia Civil do Estado. O bloqueio não foi efetivado pois o Desembargador de justiça do Piauí suspendeu a decisão. Porém na terceira vez que foi determinado o bloqueio do Whatsapp, em maio de 2016, pelo juiz Marcel Montalvão, de Sergipe, a plataforma ficou fora do ar por 25 horas, embora o pedido tivesse sido de 72 horas.

Em entrevista, Matt Stenfeld, diretor global de comunicação do WhatsApp explicou a criptografia usada e reforçou a necessidade dela, usando como argumento a segurança contra cibercriminosos e a liberdade dos usuários para conversar sobre assuntos pessoais. “O que isso significa é que o próprio WhatsApp não pode acessar o conteúdo das mensagens das pessoas. Se nós vamos proteger as mensagens de cibercriminosos, isso também significa que nós não podemos lê-las. Por causa disso, somos muito limitados nas informações que nós somos capazes de oferecer.” Justificou o diretor sobre não passar informações para o governo.

A discussão sobre usar criptografia de ponta a ponta é um debate necessário, já que é uma condição que tira o controle do Estado sobre o mundo virtual, oculta informações relevantes que antes poderiam ser retiradas, por exemplo, de ligações e coloca em pauta até que ponto é necessário e melhor para a própria sociedade o governo ter acesso a todas as informações. Além do debate sobre a veracidade da criptografia nos meios de comunicação, que por muitas vezes geram dúvidas no usuário se seu conteúdo realmente não pode ser acessado. O WhatsApp não é a única plataforma atual a usar esse tipo de criptografia, outros como Telegram, Facebook, Instagram e Boxcryptor já estão atuando desta forma.

REFERÊNCIAS

ABREU, Jacqueline de Souza – Passado, presente e futuro da criptografia forte. Revista Brasileira de políticas públicas. Centro de estudos unificados de Brasília. vol 7. nº3/2017

SAMPAIO, Ericksen. Criptografia – Conceito e aplicações. Easy.Net Magazine. Disponível em < https://www.devmedia.com.br/criptografia-conceito-e-aplicacoes-revista-easy-net-magazine-27/26761 > Acessado em: 23 de agosto de 2018.

 

SANTINO, Renato. WhatsApp explica por que não entrega os dados que a polícia brasileira pede. Olhar Digital Segurança, 2016. Disponível em: <https://olhardigital.com.br/fique_seguro/noticia/whatsapp-explica-por-que-nao-entrega-os-dados-que-a-policia-brasileira-pede/55829>. Acesso em : 23 de agosto de 2018.

SILVEIRA, Sérgio Amadeu – A disseminação do coletivo cipherpunks e suas práticas discursivas. II Encontro Internacional Participação, Democracia e políticas públicas. UNICAMP, Campinas (SP)

TYBEL, D. O. Juizados Especiais. Revista CNJ, São Paulo, v. I, 2017.

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