Censura

O termo “censura” é geralmente relacionado a momentos históricos do passado em que o Estado ou a Igreja de alguma forma limitava o acesso da população às informações através dos meios tradicionais de comunicação. Entretanto, a conotação do termo se alterou juntamente à maneira como a informação é difundida. Ou seja, com o avanço dos meios digitais de comunicação em rede, o modo de compartilhar fatos e acontecimentos passou a estar na mão da população e não mais na de grandes corporações comunicacionais.

Para Malini e Antoun (2012), inclusive, “a internet é, antes de tudo, uma mídia de vazamento”. Assim, o conteúdo que antes poderia ser bloqueado, passou a ser difundido através do que eles chamam de cooperação social. O poder de divulgação ficou na mão das pessoas enquanto grupos de parceria, que assim, ganham força para multiplicar o alcance de notícias que antes seriam censuradas. Dessa forma, os detentores do poder precisaram encontrar um novo modelo de regular o que é dito pelas vozes com interesses contrários.

Como as regras e leis na internet ainda estão em momento de discussão, as empresas passaram a encontrar brechas para manter a censura na rede. Existe uma regulação bastante forte em relação aos conteúdos, de forma que até mesmo outros usuários possam opinar se o que estão vendo fere algum tipo de política de uso do site. Esse tipo de controle do que se vê, alimenta uma falsa sensação de poder aos usuários enquanto indivíduos, quando na realidade, quem determina o que será visto é a própria empresa que te oferece esse espaço virtual.

Logo, pode-se dizer que surge uma linha tênue entre a liberdade de expressão na internet e o que se entende por censura. Segundo Gomes (2001), é preciso lembrar que “a internet é uma rede extremamente extensa, desnacionalizada e descentralizada de Computadores”. Assim, o compartilhamento de notícias em tempo real, por exemplo, se torna viável para qualquer usuário com um aparelho conectado à rede. No entanto, apesar da possibilidade concreta de haver essa disseminação de conteúdo, se o fato não for de interesse (político ou econômico) da empresa que oferece o espaço de fala, esse conteúdo não será permitido.

Lidamos hoje com um modo de censura bastante severo, que cria uma ilusão de território digital com total liberdade e que se vende como tal, quando na verdade, há uma real negociação da liberdade de quem utiliza esse perímetro. A liberdade individual na rede passa a ser estrategicamente utilizada como ferramenta de controle inclusive no mundo offline.

De forma bastante sutil, mas ao mesmo tempo consciente, há um aceite por parte dos usuários em negociar a própria liberdade de expressão para, paradoxalmente, adentrarem em um espaço em que possam falar o que lhes convém. Por mais que não haja diretamente um modelo censurador semelhante, por exemplo, ao da ditadura militar no Brasil, a coibição de conteúdos é uma maneira bastante nítida de mostrar que não é a grande população quem está no controle, e as grandes corporações, por vezes junto ao Estado fazem questão de deixar isso claro.

AUTORES:
Amanda​ ​Cristine​ ​Barbosa​ ​de​ ​Sousa
Amanda​ ​Mendes​ ​Bastos​ ​Peixoto
Larissa Alves​ ​Dias

REFERÊNCIAS
GOMES, Wilson. Opinião Política na Internet: Uma abordagem ética das questões
relativas a censura e liberdade de expressão na comunicação em rede.
Apresentado na 10a Reunião Anual da COMPÓS, GT Comunicação e Política. Brasília:
UnB, 2001
MALINI, Fabio; ANTOUN, Henrique. Monitoramento, vazamentos e anonimato nas
revoluções democráticas das redes sociais da internet. Revista Fronteiras, São
Leopoldo, Unisinos, n.14, 2012.

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