Fandom

O termo fandom, diminutivo da expressão “Fan Kingdom”, traduzido no sentido literal como “reino dos fãs”, é similar ao fanclub. Uma das diferenças entre os termos está no meio de comunicação usado, enquanto o fanclub, que teve seu auge em 1990, concretizado em locais físicos com encontros frequentes, o fandom tem seu foco em redes sociais, como Twitter e Facebook.

 

O termo fandom é utilizado para referir-se a uma subcultura de fãs que se unem pelos seus gostos em comum. A globalização e a popularização do termo possibilitou a diversidade dos grupos de fãs que podem ter como foco celebridades, hobbies, modas e atividades amplas.

A cultura pop possui muitos fandoms e a grandiosidade do número desses grupos deve-se a grande experiência que os ídolos causam em seus fãs. Martin Seel (2005), filósofo especialista no campo da estética, relata que a emoção que os fãs sentem é algo grandioso, porque é uma espécie de plenitude que faz a pessoa sentir o “aqui-e-agora”, uma explosão de sentidos que causam a sensação de pertencimento e de ser único que é essencial para um fã.

Um dos maiores eventos que reúnem os fandoms são os shows. Um fenômeno que torna algo ímpar devido ao significado e sentido que os próprios fãs dão ao objeto. No desenvolvimento do show, narrativas e cenários diferentes surgem, trazendo ao espectador a sinestesia, Goffman (2011) relata que a performance é uma linguagem e uma dinâmica social, pois causa o congelamento daquele momento em seu espectador. Mesmo após o sujeito ter saído do show, ao escutar a música no ônibus, ele sairá de sua realidade e irá acessar em seu subconsciente o momento único.

O posicionamento do artista é essencial para a reação dos fandoms, tanto positiva quanto negativamente. Hans Ulrich Gumbrecht (2010) explica sobre a importância da presença nas apresentações. Para o autor, evidencia-se de modo inesperado e “único” dentro de uma fantasia que envolve a utopia de não voltar a acontecer, gerando aquilo que podemos chamar de fascinação. A fascinação seria, assim, o resultado de uma tensão entre a breve da presença e o pensamento de que é um momento único, isto é, incomparável com outras situações.

Entre grandes divas do pop, as fãs bases (grupo de fãs de cada artista) geram rivalidades, por exemplo, entre a artista Katy Perry e Lady Gaga, as brigas de fãs são frequentes. Em 2013, auge de ambas as cantoras, Gaga pronunciou-se para o Portal Pop da MTV sobre a competição entre os grupos: “Eu realmente quero que a segunda metade de 2013 marque a mudança do pop, quando a música não é manipulada por lixos e tabloides. Eu apoio a música pop, e mais artistas soltando novas músicas significam mais amantes da música aproveitando. Não briguem com os fãs da Katy, ou com qualquer um. STOP NO DRAMA, PLAY NA MÚSICA. Música pop é diversão, e essas “guerras” são nada do que eu sou. Eu quero que as pessoas foquem no meu trabalho, não em fofoca” reforçou a artista.

O escândalo surgiu depois da mídia online publicar boatos sobre Katy Perry ter plagiado a música Applause, de Lady Gaga, com o seu single, Roar. O assunto acentuou a briga entre os grupos de fãs das artistas Katy Perry e Lady Gaga, chamados de KatyCats e Little Monsters, respectivamente. Como forma de pertencimento, todas as fã bases possuem um nome, ligado diretamente ao que veneram. Além dos exemplos de KatyCats e Little Monsters, são populares os: Beliebers (Justin Bieber), Arianators (Ariana Grande), Black Stars (Avril Lavigne), BeyHive (Beyoncé).

 

REFERÊNCIAS

 

CLICK, Melissa; SCOTT, Suzanne. The routle companions to a media fandom. Routhedge – New York and London.

 

GRECO, Clarisse. O fandom como objeto de estudo e os objetos do fandom. sistemas de informação cientifica, 2015. (SP)

 

GRAY, Jonathan; HARRINGTON Lee; SANDVOSS Cornel. Fandom: Identities and comunities in a mediated world. New York University Press. Second Edition. 2017.

 

MASCARENHAS, A.; SOARES, T. Estética do Fandom: Experiência e performance na música pop.

 

MOTA, Maurício. Como fazer seu vídeo ter 2 milhões de views. Cultura e conexões. Criando valor e significados por meio da mídia propagável.

Segunda Tela

Mais da metade das pessoas com acesso à internet no mundo usam um smartphone para conectar-se às redes. A informação é de um estudo feito em 2018 pela agência norte-americana We are Social, em parceria com o Hootsuite. Ainda segundo a pesquisa, que dedicou atenção especial ao desenvolvimento da internet no continente americano, 85% dos brasileiros conectados à rede por meio de um smartphone passam, em média, 9h horas por dia conectados, sendo o YouTube, Facebook e WhatsApp as maiores redes sociais no país.

 

Há 4 anos a agência Go2Web publicou uma série de conteúdos sobre o que eles chamaram de ‘O fenômeno da Segunda Tela’. Naquela época, segundo o IBOPE, quase 18 milhões dos brasileiros usuários de internet faziam uso da rede enquanto assistiam televisão, representando mais de 54% de todos os usuários de internet no país. Em 2015, em um artigo publicado na Revista Famecos, as pesquisadoras Ana Sílvia Médola e Elissa Schpallir Silva apresentam este fenômeno como sendo a incorporação de dispositivos móveis no modo de assistir programas televisivos. Segundo elas, esta prática – que se torna cada vez mais comum – fomenta não somente a mudança de comportamento do telespectador ao receber o conteúdo apresentado pela televisão, mas oportuniza também um novo comportamento daquele que oferece o conteúdo. Isso quer dizer que o uso de uma segunda tela ao assistir TV pode ser uma prática espontânea do usuário, assim como ele também pode ser estimulado por ela.

 

Com os textos, a Go2Web tinha o objetivo de promover um aplicativo, desenvolvido pela agência para que as pessoas conectadas pudessem receber informações em tempo real durante o desfile da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, em 2014. A experiência da agência foi amplamente divulgada em telejornais de rede e matérias de revistas e portais com alcance nacional.

 

Dois anos depois, a TV Band surpreendeu com uma ação inédita envolvendo a emissora, o programa MasterChef Brasil, o Twitter, a operadora de telefonia móvel TIM e a Samsung. Durante a final ao vivo do programa o anúncio do vencedor da edição foi ‘twittado’ do estúdio do programa, e só quem estava conectado na rede social naquele momento soube do resultado antes dele ser divulgado na televisão. A ação se repetiu na temporada 2018 do programa mas, desta vez, a rede escolhida foi o Instagram.

 

Ao fazer uso da segunda tela, o telespectador tem a oportunidade de interagir não mais somente com o aparelho de televisão, mas com o conteúdo que ele apresenta e com outras pessoas que também estão recebendo aquele conteúdo naquele momento e isto é considerado um grande salto em relação às participações por carta, e-mail ou telefone em programas que o telespectador pode conversar ao vivo com o apresentador. Em 2013 a eCGlobal Solutions realizou um estudo no Brasil que revelou que a principal atividade desenvolvida pelos telespectadores que fazem uso da segunda tela é o envio de comentários sobre os programas nas redes sociais. Depois disso, o brasileiro utiliza para buscar mais informações sobre o assunto apresentado. O fato de 34% dos brasileiros entrevistados afirmarem que utilizam a segunda tela para emitir comentários e conversar sobre o programa com outras pessoas conectadas nos possibilita a analogia de que as redes sociais se transformam em um grande sofá, onde cabe muito mais gente que as poucas pessoas que caberiam em uma sala assistindo o programa em uma tela só e comentando-o entre si. Além disso, o telespectador busca informações que complementam seu entendimento do conteúdo, e então, o encontra nos comentários e reflexões compartilhadas por outros telespectadores. Desta maneira, sua interpretação é, na verdade, um produto da socialização propiciada por meio da segunda tela.

 

A televisão, que costumava ser o único aparelho eletrônico ligado na sala tornou-se apenas mais um, dividindo a atenção de seus espectadores com smartphones, tablets e notebooks. Fato que no início da popularização da internet foi visto como ameaça, atualmente é entendido como imprescindível para que os programas sejam repensados para acompanhar o desenvolvimento tecnológico, tornando a segunda tela uma aliada. A interação possibilitada pela existência de conteúdos exclusivos online, comentários em redes sociais – muitas vezes exibidos durante programas ou votações – aproximam telespectadores, dando a eles participação e controle sobre o conteúdo. Essa interação é vista como um dos principais fatores para que cada vez mais pessoas se interessem em ver o programa ao vivo, fazendo parte das discussões sobre o que é transmitido.

 

REFERÊNCIAS

 

FREITAS, Marcos. O fenômeno da segunda tela. Blog Go2Web. Disponível em: <http://www.go2web.com.br/pt-BR/blog/o-fenomeno-da-segunda-tela.html>. Acesso em 21 ago. 2018.

 

MASSAROLO, J. C. DARIO, M. Estratégias contemporâneas do storytelling para múltiplas telas. Revista Latinoamericana de Ciencias de la Comunicacíon, v. 11, n. 21, 2014.

 

MÉDOLA, A. S. SILVA, E. S. Segunda tela e a reconfiguração das práticas comunicacionais no processo de fruição da televisão. Revista Famecos, Rio Grande do Sul, v. 22, n. 1, 2015.

 

We Are Social, Digital in 2018: World´s internet users pass the 4 billion mark. Disponível em: <https://wearesocial.com/blog/2018/01/global-digital-report-2018>. Acesso em  23 ago. 2018.

M-Learning

O termo “M-Learning”, que se refere a “Mobile Learning” ou “Aprendizagem Móvel”, é uma modalidade de ensino que permite a professores e alunos interagirem à distância, num ambiente virtual de aprendizagem, com acesso a internet. Em outras palavras, é a integração de tecnologias móveis para uso da educação. Essa nova forma de interação fornece a possibilidade do acesso ao conhecimento e informação para a sociedade atual, atendendo, principalmente, às necessidades dos alunos universitários, fazendo com que eles sejam capazes de conciliar trabalho, aprendizado e estudo, quando e onde quiserem (TAVARES, OLIVEIRA, LARANJEIRO, ALMEIDA, 2015). Com o avanço das tecnologias móveis, o M-Learning vem, cada vez mais, dividindo espaço com o sistema de ensino tradicional, enriquecendo-o. Muitas Universidades ao redor do mundo estão adotando essa tecnologia a favor do ensino, disponibilizando aos alunos a possibilidade de aprendizagem em qualquer lugar e a qualquer hora por diferentes meios (AL-EMRAN, 2016, p.94).

Estudos realizados demonstram que a aceitação do M-Learning por estudantes de ensino superior considera o desempenho, a experiência do usuário, a interface, e a influência de professores em relação ao método de ensino (ABU-AL-AISH; LOVE, 2013 apud  AL-EMRAN, 2016). Dessa forma, o M-Learning também proporcionou o crescimento do “Universal Design for Learning” (UDL), ou seja, a construção de ambientes onlines ergonômicos e intuitivos, de fácil acesso ao usuário universitário, que baseia todo o seu processo de construção, metodologia e interação em estudos de Neurociência e teorias de aprendizagem atuais. Com isso, surgiu a responsabilidade e o desafio em proporcionar múltiplos meios de envolvimento do usuário, de representação e de expressão e ação. Em função disso, cria-se espaços de aprendizagem de Ensino à Distância (EAD ou e-Learning), Ebooks, videoaulas, aplicativos, Gameficação, redes sociais acadêmicas, entre outras interfaces interativas. Englobando a diversidade dos alunos: as diferentes necessidades, capacidades, interesses, origens, experiências e diferentes maneiras de aprender (UNESCO, 2004, apud TAVARES, OLIVEIRA, LARANJEIRO, ALMEIDA, 2015); e, desta forma, isso torna a educação mais inclusiva, mais centrada no aluno e, assim, mais democratizada. Com isso, percebemos o quão importante é o papel do M-Learning para a inclusão social pelo ensino à distância.

O Brasil ainda adere em sua maioria o padrão de ensino tradicional, sala de aulas com livros, cadernos, lousa. A tecnologia tem um alcance enorme, mas o acesso às tecnologias móveis ainda são predominantemente utilizadas para fins pessoais, tais como acesso às redes sociais e notícias de interesse. Um dos motivos é o distanciamento de gerações, com predominâncias em escolas públicas os professores ainda optam por utilizar métodos precedentes ao M-Learning. Em instituições universitárias, é evidente o acompanhamento com a introdução de novas plataformas e aparelhos, com praticamente todo o conteúdo utilizado disponível em ferramentas de compartilhamento simultâneo a essencialidade do uso de aparelhos se tornam indispensáveis para alunos e professores.

REFERÊNCIAS

 

AL-EMRAN, Mostafa; ELSHERIF, Hatem M.; SHAALAN, Khaled. Investigating attitudes towards the use of mobile learning in higher education. Computers in Human Behavior, v. 56, p. 93-102, 2016.

 

TAVARES, Rita; OLIVEIRA, David; LARANJEIRO, Dionísia; ALMEIDA, Margarida. Universal Design for Learning: potencial de aplicação no Ensino Superior com alunos com NEE e por recurso a tecnologias mobile. Educação, Formação & Tecnologias, 8 (1), 84-94 [Online], disponível a partir de http://eft.educom.pt.

 

EDOOLS. Mobile Learning. Disponível em: <https://www.edools.com/mobile-learning/> Acesso em: 30 de Agosto de 2018.

 

MOCELIN, Roberta. Mobile Learning no Brasil: Um estudo exploratório sobre as iniciativas relatadas na literatura. Disponivel em <https://repositorio.ufsc.br>. Acesso em 30 de Agosto de 2018.

 

Bolhas de opinião

Com o advento da internet e sua popularização, em meados de 1990, a comunicação digital expandiu suas fronteiras e se tornou cada vez mais presente no cotidiano das pessoas. As redes sociais, surgidas no início dos anos 2000, ampliaram o enredamento entre pessoas, por meio da criação de comunidades virtuais e da possibilidade de compartilhamento de ideias. À essa interconexão entre computadores e a relação que os seres humanos desenvolvem com este universo chamado internet, Pierre Lévy, designa de “ciberespaço” (LÉVY, 2010).

O ciberespaço é um grande canal de discussão aberto, onde todos os que possuem acesso a internet têm direito a expressar suas opiniões, interagir e trocar informações. Apesar dos inegáveis benefícios que a internet trouxe para facilitar as relações em sociedade em diversos campos, alguns problemas e limitações também acabaram desenvolvendo-se no ciberespaço, como a circulação de notícias falsas pela internet, conhecidas por Fake News, a disseminação de discursos de ódio e as Bolhas de Opinião ou Bolhas Sociais.

As Bolhas de Opinião são consequências da exposição apenas do que é conveniente à opinião e ao âmbito de mundo do indivíduo, isso é possível por causa do desenvolvimento de ferramentas cômodas, formadas por algoritmos eletrônicos, que mapeiam os hábitos do usuário na internet e filtram apenas o conteúdo que é relevante ao mesmo. De acordo com uma seleção prévia, que capta os interesses do internauta conforme as suas últimas pesquisas realizadas, os algoritmos são capazes de excluir conteúdos que não estão de acordo com o que o usuário, teoricamente, gostaria de ver. Desta forma, esses mecanismos limitam a possibilidade de escolha consciente do que o sujeito pode ter acesso, assim como delimita o acesso a visão de outros contextos sociais, econômicos e culturais.

Por definir informações, postagens e outros conteúdos que estão de acordo com o que o usuário pensa, os algoritmos acabam criando uma falsa sensação de conhecimento, visto que outros prismas e versões do assunto tratado são filtrados. Uma vez que o conteúdo trocado pelos frequentadores desses espaços se isola apenas em mídias ideologicamente compatíveis com seus ideais e influenciam a formação deste público, a opinião do indivíduo sobre determinado assunto é reforçada e a contrária aos seus ideias enfraquecida, formando assim as Bolhas de Opinião. Essa limitação torna-se muito perigosa principalmente porque os algoritmos não filtram informações verdadeiras de informações falsas. Assim, esses algoritmos podem oferecem notícias falsas sobre um determinado assunto só porque o indivíduo demonstra gostar daquele conteúdo.  

Ao mesmo tempo que a bolha limita as interações sociais, ela protege as pessoas, pois causa uma sensação de ilusão da realidade. Por esses motivos, pode-se afirmar que o contexto em que as “Bolhas Sociais” inserem as pessoas, é algo negativo. Pois, à partir do momento em que os grupos sociais se isolam, eles acabam não tendo uma visão ampla de mundo e de vivência coletiva.

 

REFERÊNCIAS:

 

LÉVY, Pierre. Cibercultura. Editora 34, 2010.

 

SANTANA, Deivid Mota; DA SILVA, Naiana Rodrigues. Polarização Política e Filtro Bolha: Sondagem das Postagens Políticas de Estudantes Universitários no Facebook.

 

RECUERO, Raquel da Cunha; ZAGO, Gabriela da Silva; SOARES, Felipe Bonow. Mídia social e filtros-bolha nas conversações políticas no Twitter. Associação Nacional de Programas de Pós-Graduação em Comunicação. Encontro Anual (COMPÓS).(26.: 2017 jun. 06-09: São Paulo, SP).[Anais]. São Paulo: Faculdade Cásper Líbero, 2017.

 

FONTOURA, Mariana Gomes da; AUGSTEN, Patrícia. A Utopia do Diálogo Produtivo: Uma Reflexão Sobre a Formação dos Posicionamentos Políticos na Lógica da Exposição Seletiva. Trabalho apresentado no GP Comunicação e Cultura Digital, do XVII Encontro dos Grupos de Pesquisa em Comunicação, 40º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (INTERCOM NACIONAL). (Setembro, 2017: Curitiba, PR). [Anais]. Rio Grande do Sul: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

Criptografia

A criptografia é o estudo e aplicação de técnicas pelas quais a informação é  transformada da sua forma original para uma forma ilegível aos demais. A própria etimologia da palavra revela seu significado, que tem origem grega: Kryptós: “escondido” e gráphein “escrita”. Sua aplicação é feita para a comunicação e armazenamento de dados e seu uso teve início em 1918 desenvolvida por Arthur Scherbius, que acabou gerando grande interesse pela marinha alemã. Seu uso se popularizou na segunda guerra mundial quando o Estado precisava manter suas informações em sigilo, para isso, criaram alfabetos que apenas o destinatário e o remetente saberiam o significado – exatamente o que acontece com a atual criptografia. A revolução industrial, o surgimento de máquinas e tecnologia, favoreceram o aperfeiçoamento da criptografia e a criação de departamentos especializados em codificações.

Com o computador e o sistema de algoritmos binários (uma sequência de 0 e 1) é possível encriptar e decriptar a mensagem, ou seja, transformar a informação usando códigos e tornar ilegível para aqueles que não são o emissor ou receptor da mensagem e converter novamente em conteúdo legível.

Existem 3 tipos de criptografia: Simétrica, Assimétrica e de Hash. Na primeira, simétrica, o destinatário e o remetente utilizarão apenas uma chave, a qual irá encriptar e decriptar a mensagem. Na criptografia Assimétrica ou de ponta a ponta serão utilizadas duas chaves, uma pública e uma privada. A chave pública será utilizada para fechar a mensagem, ou seja, para enviar, já a chave privada irá abrir as mensagens. Na técnica de Hash não é utilizada uma chave e sim um valor de hash com um tamanho fixo, que serve para garantir que os dados de sua mensagem não sejam corrompidos.

A criptografia é um assunto que alerta o Estado, pois grandes empresas já utilizam a criptografia em seu modo assimétrico, onde apenas os participantes das mensagens podem saber o conteúdo. Um exemplo claro e atual é o conflito entre o WhatsApp e a Justiça brasileira. Em fevereiro de 2015, o juiz Luiz de Moura Correia, do Piauí, determinou o bloqueio do aplicativo no Brasil depois do WhatsApp ter negado fornecer informações relacionadas a informações solicitadas pela polícia Civil do Estado. O bloqueio não foi efetivado pois o Desembargador de justiça do Piauí suspendeu a decisão. Porém na terceira vez que foi determinado o bloqueio do Whatsapp, em maio de 2016, pelo juiz Marcel Montalvão, de Sergipe, a plataforma ficou fora do ar por 25 horas, embora o pedido tivesse sido de 72 horas.

Em entrevista, Matt Stenfeld, diretor global de comunicação do WhatsApp explicou a criptografia usada e reforçou a necessidade dela, usando como argumento a segurança contra cibercriminosos e a liberdade dos usuários para conversar sobre assuntos pessoais. “O que isso significa é que o próprio WhatsApp não pode acessar o conteúdo das mensagens das pessoas. Se nós vamos proteger as mensagens de cibercriminosos, isso também significa que nós não podemos lê-las. Por causa disso, somos muito limitados nas informações que nós somos capazes de oferecer.” Justificou o diretor sobre não passar informações para o governo.

A discussão sobre usar criptografia de ponta a ponta é um debate necessário, já que é uma condição que tira o controle do Estado sobre o mundo virtual, oculta informações relevantes que antes poderiam ser retiradas, por exemplo, de ligações e coloca em pauta até que ponto é necessário e melhor para a própria sociedade o governo ter acesso a todas as informações. Além do debate sobre a veracidade da criptografia nos meios de comunicação, que por muitas vezes geram dúvidas no usuário se seu conteúdo realmente não pode ser acessado. O WhatsApp não é a única plataforma atual a usar esse tipo de criptografia, outros como Telegram, Facebook, Instagram e Boxcryptor já estão atuando desta forma.

REFERÊNCIAS

ABREU, Jacqueline de Souza – Passado, presente e futuro da criptografia forte. Revista Brasileira de políticas públicas. Centro de estudos unificados de Brasília. vol 7. nº3/2017

SAMPAIO, Ericksen. Criptografia – Conceito e aplicações. Easy.Net Magazine. Disponível em < https://www.devmedia.com.br/criptografia-conceito-e-aplicacoes-revista-easy-net-magazine-27/26761 > Acessado em: 23 de agosto de 2018.

 

SANTINO, Renato. WhatsApp explica por que não entrega os dados que a polícia brasileira pede. Olhar Digital Segurança, 2016. Disponível em: <https://olhardigital.com.br/fique_seguro/noticia/whatsapp-explica-por-que-nao-entrega-os-dados-que-a-policia-brasileira-pede/55829>. Acesso em : 23 de agosto de 2018.

SILVEIRA, Sérgio Amadeu – A disseminação do coletivo cipherpunks e suas práticas discursivas. II Encontro Internacional Participação, Democracia e políticas públicas. UNICAMP, Campinas (SP)

TYBEL, D. O. Juizados Especiais. Revista CNJ, São Paulo, v. I, 2017.