Bolhas de opinião

Com o advento da internet e sua popularização, em meados de 1990, a comunicação digital expandiu suas fronteiras e se tornou cada vez mais presente no cotidiano das pessoas. As redes sociais, surgidas no início dos anos 2000, ampliaram o enredamento entre pessoas, por meio da criação de comunidades virtuais e da possibilidade de compartilhamento de ideias. À essa interconexão entre computadores e a relação que os seres humanos desenvolvem com este universo chamado internet, Pierre Lévy, designa de “ciberespaço” (LÉVY, 2010).

O ciberespaço é um grande canal de discussão aberto, onde todos os que possuem acesso a internet têm direito a expressar suas opiniões, interagir e trocar informações. Apesar dos inegáveis benefícios que a internet trouxe para facilitar as relações em sociedade em diversos campos, alguns problemas e limitações também acabaram desenvolvendo-se no ciberespaço, como a circulação de notícias falsas pela internet, conhecidas por Fake News, a disseminação de discursos de ódio e as Bolhas de Opinião ou Bolhas Sociais.

As Bolhas de Opinião são consequências da exposição apenas do que é conveniente à opinião e ao âmbito de mundo do indivíduo, isso é possível por causa do desenvolvimento de ferramentas cômodas, formadas por algoritmos eletrônicos, que mapeiam os hábitos do usuário na internet e filtram apenas o conteúdo que é relevante ao mesmo. De acordo com uma seleção prévia, que capta os interesses do internauta conforme as suas últimas pesquisas realizadas, os algoritmos são capazes de excluir conteúdos que não estão de acordo com o que o usuário, teoricamente, gostaria de ver. Desta forma, esses mecanismos limitam a possibilidade de escolha consciente do que o sujeito pode ter acesso, assim como delimita o acesso a visão de outros contextos sociais, econômicos e culturais.

Por definir informações, postagens e outros conteúdos que estão de acordo com o que o usuário pensa, os algoritmos acabam criando uma falsa sensação de conhecimento, visto que outros prismas e versões do assunto tratado são filtrados. Uma vez que o conteúdo trocado pelos frequentadores desses espaços se isola apenas em mídias ideologicamente compatíveis com seus ideais e influenciam a formação deste público, a opinião do indivíduo sobre determinado assunto é reforçada e a contrária aos seus ideias enfraquecida, formando assim as Bolhas de Opinião. Essa limitação torna-se muito perigosa principalmente porque os algoritmos não filtram informações verdadeiras de informações falsas. Assim, esses algoritmos podem oferecem notícias falsas sobre um determinado assunto só porque o indivíduo demonstra gostar daquele conteúdo.  

Ao mesmo tempo que a bolha limita as interações sociais, ela protege as pessoas, pois causa uma sensação de ilusão da realidade. Por esses motivos, pode-se afirmar que o contexto em que as “Bolhas Sociais” inserem as pessoas, é algo negativo. Pois, à partir do momento em que os grupos sociais se isolam, eles acabam não tendo uma visão ampla de mundo e de vivência coletiva.

 

REFERÊNCIAS:

 

LÉVY, Pierre. Cibercultura. Editora 34, 2010.

 

SANTANA, Deivid Mota; DA SILVA, Naiana Rodrigues. Polarização Política e Filtro Bolha: Sondagem das Postagens Políticas de Estudantes Universitários no Facebook.

 

RECUERO, Raquel da Cunha; ZAGO, Gabriela da Silva; SOARES, Felipe Bonow. Mídia social e filtros-bolha nas conversações políticas no Twitter. Associação Nacional de Programas de Pós-Graduação em Comunicação. Encontro Anual (COMPÓS).(26.: 2017 jun. 06-09: São Paulo, SP).[Anais]. São Paulo: Faculdade Cásper Líbero, 2017.

 

FONTOURA, Mariana Gomes da; AUGSTEN, Patrícia. A Utopia do Diálogo Produtivo: Uma Reflexão Sobre a Formação dos Posicionamentos Políticos na Lógica da Exposição Seletiva. Trabalho apresentado no GP Comunicação e Cultura Digital, do XVII Encontro dos Grupos de Pesquisa em Comunicação, 40º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (INTERCOM NACIONAL). (Setembro, 2017: Curitiba, PR). [Anais]. Rio Grande do Sul: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

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